Relatório do workshop — Rumo a uma Internet global multilíngüe: Evitando o risco da fragmentação
2 de novembro de 2006
1. Título: Rumo a uma Internet global multilíngüe: Evitando o risco da fragmentação. Atenas, 31 de outubro de 2006, das 15:30 às 19:00 h
2. Organizadores e integrantes do painel
Organizadores:
Integrantes do painel
3. Discussão
O workshop ofereceu a estrutura para um diálogo sobre os diversos aspectos associados ao desenvolvimento de um ciberespaço multilíngüe e sobre soluções para evitar a fragmentação da Internet. Palestrantes de governos e dos setores privado e acadêmico participaram da discussão sobre como criar uma Internet realmente multilíngüe, tanto do ponto de vista do conteúdo quanto da técnica. O workshop se dividiu em quatro sessões.
Ao abrir o workshop, Elizabeth Longworth, Diretora-Executiva do escritório do Diretor-Geral da UNESCO, sublinhou a importância e a riqueza dos idiomas e das identidades de povos e indivíduos. O grande sucesso da Internet criou uma intensa pressão para que todos os idiomas estejam representados. Por isso, todos os envolvidos precisam trabalhar em conjunto para evitar que no ciberespaço se desenvolvam ilhas de línguas isoladas.
O ministro Tarek Kamel do Egito destacou que barreiras de linguagem são os principais obstáculos para uma Internet verdadeiramente global, e apoiou iniciativas multilíngües para conteúdo na Internet. Por exemplo, o conteúdo em língua árabe poderia refletir melhor as contribuições da cultura árabe para a comunidade global.
Vinton Cerf, presidente da Diretoria da ICANN, apontou para os desafios técnicos que estão por trás do desenvolvimento de uma Internet multilíngüe e dos IDNs. É vital incluir escritas não-latinas no sistema de nomes de domínio. A comunidade técnica fez progressos consideráveis ao integrar escritas não-latinas no sistema do DNS.
Os assuntos representação e metadados e a importância de uma arquitetura aberta que viabilize a diversidade lingüística foram abordados por Bob Kahn, que introduziu o "Handle", um sistema para descrever objetos digitais e criar uma arquitetura para objetos digitais transferíveis.
A necessidade de criar condições para oferecer conteúdo on-line em todos os idiomas também foi destacada pelos membros do painel na primeira sessão, que apresentou perspectivas das cinco regiões do mundo. Para Adama Samassékou, da ACALAN, o continente africano precisa encarar o desafio de línguas que estão desaparecendo rapidamente, e a "Rede Mundial para a Diversidade de Idiomas" poderia ser um bom instrumento para a cooperação internacional destinada a garantir uma maior presença de conteúdos e uma diversidade idiomática mais notável. Ele também enfatizou a importância da interoperabilidade para a África. Ayman El Sherbiny, da ESCWA, apresentou avanços na resolução de problemas relacionados ao principal sistema de nomes de domínio árabes, descrevendo um envolvimento interessante da ESCWA ao oferecer um espaço para tratar os assuntos de maneira coordenada e eficiente. Ele também sugeriu que se criasse um fundo global para IDNs. Kangsik Cheon, do Consórcio da Internet para Línguas Nativas (NLIC), Coréia do Sul, apresentou uma experiência sobre o uso de navegadores na Ásia, e também mostrou uma série de estatísticas sobre idiomas usados na região e o uso de navegadores nos idiomas locais. De acordo com Augusto Gadelha, presidente do Comitê Gestor da Internet no Brasil, a tecnologia não é mais um obstáculo para a pluralidade de idiomas na América Latina e no Caribe. Em particular, os padrões UNICODE oferecem uma plataforma básica para a codificação de escritas. A situação da Europa, com sua grande quantidade de idiomas e escritas diferentes, foi descrita por Cary Karp como um microcosmo que reflete muitos dos problemas enfrentados pela comunidade global no mundo todo. Ele apresentou a abordagem do governo sueco para lidar com realidades sócio-lingüísticas complexas, que exigiram soluções técnicas complexas durante as recentes eleições.
Na segunda sessão, sobre "Conteúdo multilíngüe", Louis Pouzin discutiu soluções para oferecer conteúdo em idiomas locais. John Paolillo apresentou uma pesquisa da UNESCO com estatísticas e problemas relacionados à complexa questão que é medir a diversidade lingüística, destacando também "vieses lingüísticos" quando se medem idiomas na Internet.
Na terceira sessão, sobre "Aplicativos multilíngües" apresentaram-se vários panoramas gerais dos avanços, incluindo uma demonstração ao vivo do "iEmail" por Sheldon Lee, um sistema de e-mail interoperável com o sistema global. Neil Harris apresentou soluções para a implementação de IDNs na Firefox.
A última sessão, "Nomes de domínio internacionalizados", concentrou-se no projeto-piloto de nomes de domínio árabes, com Christine Arida do Egito, os desafios para IDNs na Índia – um país com 22 línguas oficiais com representação em 11 escritas, com Pankaj Agrawala; o resultado do primeiro teste com IDNs concluído em 2006 (o software de usuários finais apontou diferenças na conversão de Unicode para Punycode) conduzido no laboratório para IDNs em .museum em associação com a Autonomica, com apresentação de Ram Mohan.
Todos os palestrantes insistiram que os usuários precisam de coerência nos aplicativos; que nomes de domínio precisam continuar sendo únicos e não-ambígüos, que a interoperabilidade do sistema de DPNs deve ser mantida; que é necessário assegurar soluções que resistam ao futuro, e que é preciso promover iniciativas com vários envolvidos.
Claudio Menezes e Axel Plathe da UNESCO, e Paul Twomey da ICANN conduziram a reunião ao final, sublinhando a importância de continuar o diálogo sobre esses assuntos, bem como a necessidade de aumentar a riqueza e a herança da Internet com o uso de IDNs.
4. Inventário de eventos e envolvidos relacionados ao assunto em discussão
ICANN; UNESCO, ITU, outras instituições relevantes das Nações Unidas; o sistema UNICODE; academias de idiomas; definidores de padrões, redes de especialistas/comunidade de práticas; instituições acadêmicas e de pesquisa; comunidades de usuários, etc. Organizaram-se diversos eventos para educar e informar os diferentes envolvidos sobre os assuntos relacionados a IDNs. Favor consultar os sites das respectivas organizações para ver o calendário dos eventos.
5. Acompanhamento possível
Ter em mente a importância de se ter uma Internet interoperável, segura e estável, um diálogo constante, iniciativas que despertem a consciência, além de testes com IDNs, é a melhor maneira de evitar o risco de fragmentação da Internet, e que se implementem IDNs de maneira eficiente, a fim de atender a um número crescente de participantes. Entre os cenários sugeridos, Adama Samassekou sugeriu a criação de um grupo de trabalho internacional que analisará a multiplicidade de idiomas no espaço cibernético.
6. Links úteis
Última modificação
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